
Levantamento de 2026 revela que menos da metade das brasileiras conhece bem a vacina contra o HPV, enquanto o SUS amplia o rastreamento do câncer do colo do útero e reabre, até dezembro, o prazo de vacinação para jovens de 15 a 19 anos.
Resumo rápido | Ver os principais pontos
- 7.493 mortes por câncer do colo do útero em 2024 no Brasil — cerca de 20 por dia (dados do INCA)
- Apenas 44% das mulheres dizem conhecer bem a vacina contra o HPV (pesquisa Instituto Locomotiva, 2026)
- A vacina contra o HPV é gratuita pelo SUS para o público-alvo do calendário nacional
- Até 31/12/2026, jovens de 15 a 19 anos podem fazer a vacinação de resgate contra o HPV
- O SUS está substituindo progressivamente o Papanicolau pelo teste de DNA-HPV, mais sensível na detecção precoce
O Brasil dispõe de uma vacina capaz de prevenir grande parte dos casos de câncer do colo do útero, oferece imunização gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e está modernizando a forma de rastrear a doença. Mesmo assim, o câncer cervical continua fazendo milhares de vítimas todos os anos — e a prevenção do câncer de colo do útero ainda esbarra em um problema básico: falta de informação.
Câncer do colo do útero no Brasil: o que dizem os números do INCA
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), foram registradas 7.493 mortes por câncer do colo do útero em 2024 no Brasil. Isso equivale a pouco mais de 20 mortes por dia. Para o período de 2026 a 2028, o instituto estima aproximadamente 19.310 novos casos da doença por ano.
A situação chama atenção porque o câncer cervical é, em grande parte, evitável com vacinação contra o HPV, rastreamento regular e tratamento precoce das lesões precursoras.
Pesquisa de 2026 mostra desconhecimento sobre a vacina contra o HPV
Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada entre 15 e 24 de julho de 2026 com 800 mulheres brasileiras de 18 a 45 anos, mostra outro problema: muitas brasileiras ainda sabem pouco sobre uma das principais ferramentas de prevenção do câncer do colo do útero, a vacina contra o HPV.
Apenas 44% afirmaram conhecer muito bem a vacina contra o HPV — resultado melhor que os 38% registrados em 2025, mas ainda insuficiente. Além disso, cerca de quatro em cada dez entrevistadas disseram não ter tomado a vacina ou não se lembrar se foram imunizadas, citando idade, custo e falta de informação como principais barreiras.
Esse ponto chama atenção porque, no Brasil, a vacina contra o HPV integra o Programa Nacional de Imunizações e é oferecida gratuitamente pelo SUS para a população definida pelo calendário nacional. Quando parte da população acredita que precisa pagar por uma vacina gratuita, o problema deixa de ser individual e passa a ser de comunicação em saúde pública.
O que é HPV e qual sua relação com o câncer do colo do útero
HPV é a sigla para papilomavírus humano, um vírus com mais de 200 subtipos identificados. Alguns tipos provocam verrugas genitais; outros são classificados como tipos oncogênicos de HPV, associados ao desenvolvimento de diferentes cânceres — entre eles o câncer do colo do útero, o câncer de ânus, de pênis, de boca e de orofaringe.
Como a infecção pelo HPV evolui para lesões precursoras
O câncer do colo do útero está fortemente relacionado à infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV. Isso não significa que toda infecção evolua para câncer: na maioria dos casos, o próprio organismo elimina o vírus. O risco aumenta quando a infecção permanece ativa por muito tempo, provocando alterações celulares que podem se transformar em lesões precursoras do câncer cervical.
Se identificadas e tratadas cedo — por meio do rastreamento do câncer do colo do útero —, essas lesões costumam ser controladas antes de evoluir para um tumor invasivo.
Sintomas do HPV e do câncer do colo do útero
Um dos maiores desafios do câncer cervical é que ele costuma ser silencioso nas fases iniciais. Uma mulher pode carregar uma alteração causada pelo HPV durante anos sem sentir dor ou perceber qualquer sintoma. Sangramentos anormais, dor pélvica e outros sinais tendem a aparecer apenas em estágios mais avançados — por isso a vacinação contra o HPV e o rastreamento periódico são a principal estratégia de prevenção do câncer do colo do útero, e não a espera por sintomas.
Vacina contra o HPV: quem pode tomar e onde encontrar
Outro erro comum é tratar o HPV como um problema exclusivamente feminino. Não é: o vírus também está relacionado a cânceres que afetam homens, como os de pênis, ânus e orofaringe.
Calendário nacional de vacinação HPV para meninas e meninos
O calendário do SUS recomenda uma dose da vacina contra o HPV para meninas e meninos de 9 a 14 anos que ainda não foram vacinados. Essa faixa etária é priorizada porque a vacina contra o HPV é mais eficaz quando aplicada antes de uma possível exposição ao vírus.
Grupos com indicação especial da vacina HPV
Existem recomendações específicas de vacinação contra o HPV para:
- pessoas imunodeprimidas
- pessoas vivendo com HIV
- pacientes transplantados
- pacientes oncológicos
- usuários de PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV)
- vítimas de violência sexual
- pessoas com papilomatose respiratória recorrente
Nesses grupos, o esquema vacinal pode incluir mais doses e se estender até os 45 anos. O ideal é confirmar a situação individual na UBS (Unidade Básica de Saúde) mais próxima.
Vacinação de resgate contra o HPV: prazo até dezembro de 2026 para jovens de 15 a 19 anos
Em julho de 2026, o Ministério da Saúde prorrogou até 31 de dezembro de 2026 a estratégia de resgate da vacinação contra o HPV para adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não foram vacinados na idade recomendada ou não têm registro da imunização.
Na prática, um jovem de 17 anos que não tomou a vacina contra o HPV aos 11 ou 12 anos ainda pode procurar o SUS dentro dessa campanha de vacinação. A medida é relevante porque existe uma geração inteira que passou pela faixa etária ideal sem ser imunizada.
Como reforço, o Ministério da Saúde também levou a vacinação contra o HPV às escolas em 2026, dentro do Programa Saúde na Escola, ampliando o acesso à imunização onde crianças e adolescentes já estão.
Rastreamento do câncer do colo do útero: Papanicolau e teste DNA-HPV
O tradicional exame de Papanicolau ajudou a salvar inúmeras vidas e segue em uso, especialmente em regiões onde a nova tecnologia ainda não chegou.
O SUS, porém, está adotando progressivamente o teste molecular de DNA-HPV como exame primário de rastreamento do câncer do colo do útero. A diferença central é que esse teste identifica diretamente a presença dos tipos de HPV de alto risco, antes mesmo do surgimento de alterações celulares.
Segundo as novas diretrizes do Ministério da Saúde, o rastreamento é indicado, em geral, para mulheres e outras pessoas com colo do útero entre 25 e 64 anos que já tiveram atividade sexual. Quando o teste DNA-HPV é negativo, o intervalo até o próximo exame pode chegar a cinco anos. A meta do governo é levar essa tecnologia a todo o território nacional até o fim de 2026.
Acesso ao SUS: por que a tecnologia sozinha não resolve
Vacina gratuita, teste mais moderno e tratamento disponível representam avanços reais na prevenção do câncer do colo do útero. Mas nenhuma dessas ferramentas funciona se a população não conseguir acessá-las.
O INCA destaca que o câncer do colo do útero afeta principalmente populações com acesso limitado aos serviços de saúde. Uma mulher que mora longe de uma UBS, precisa faltar ao trabalho para um exame, não tem com quem deixar os filhos ou espera meses por uma consulta vive uma realidade bem diferente de quem tem fácil acesso a acompanhamento ginecológico. Prevenção só funciona quando também é acessível.
Informação também é prevenção do câncer do colo do útero
O dado talvez mais relevante da pesquisa do Instituto Locomotiva em 2026 é este: informação não pode ser tratada como algo secundário.
- Se uma mãe acredita que a vacina contra o HPV pode incentivar o início da vida sexual da filha, pode recusar a imunização.
- Se um pai acredita que meninos não precisam se vacinar contra o HPV, o filho fica desprotegido.
- Se uma mulher não sabe que o HPV pode ficar silencioso por anos, pode considerar o rastreamento desnecessário por “não sentir nada”.
- Se uma jovem acredita que perdeu a janela de vacinação depois dos 14 anos, pode não saber que existe, em 2026, uma estratégia de resgate para pessoas de 15 a 19 anos.
Em todos esses casos, a ferramenta médica existe — o que falta é informação para que ela seja usada.
Perguntas frequentes sobre a vacina contra o HPV
A vacina contra o HPV é gratuita no Brasil?
Sim. A vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo SUS, dentro do Programa Nacional de Imunizações, para o público definido pelo calendário nacional e para grupos com indicação especial.
Quem perdeu a idade recomendada ainda pode tomar a vacina HPV?
Jovens de 15 a 19 anos que não foram vacinados contra o HPV na idade recomendada podem procurar o SUS até 31 de dezembro de 2026, dentro da estratégia de vacinação de resgate anunciada pelo Ministério da Saúde.
O teste DNA-HPV substitui o Papanicolau?
O SUS está adotando progressivamente o teste DNA-HPV como exame primário de rastreamento do câncer do colo do útero, por ser mais sensível na identificação de tipos de HPV de alto risco. O Papanicolau segue em uso, principalmente onde a nova tecnologia ainda não está disponível.
HPV tem cura?
Na maioria dos casos, o próprio organismo elimina a infecção pelo HPV. Quando o vírus persiste e provoca lesões precursoras, essas lesões podem ser tratadas — o que reforça a importância do rastreamento regular do câncer do colo do útero.
Um câncer evitável não deveria matar 20 pessoas por dia
A vacinação contra o HPV antes da exposição ao vírus reduz drasticamente o risco futuro de câncer do colo do útero. O rastreamento identifica infecções e lesões antes de a doença avançar. O tratamento precoce aumenta muito as chances de sucesso.
Combater o câncer do colo do útero, portanto, não depende de uma única medida: exige unir vacinação, informação, rastreamento, acesso ao SUS e acompanhamento adequado dos exames.
Os avanços de 2025 e 2026 — o teste DNA-HPV, a vacinação contra o HPV nas escolas e a ampliação temporária da imunização para jovens de 15 a 19 anos — mostram que o Brasil tem ferramentas cada vez melhores. O desafio agora é fazer com que elas cheguem a quem mais precisa.
Quando cerca de 20 brasileiras ainda morrem diariamente de uma doença amplamente prevenível, cada adolescente vacinado e cada diagnóstico feito no momento certo deixam de ser apenas estatísticas de saúde pública. Podem representar uma vida salva.
Fontes: Instituto Nacional de Câncer (INCA); Instituto Locomotiva (pesquisa de julho de 2026); Ministério da Saúde — Programa Nacional de Imunizações e Programa Saúde na Escola.
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