
A tensão geopolítica envolvendo o Irã, os Estados Unidos e Israel também elevou os preços do petróleo e aumentou preocupações com a inflação global, alterando as expectativas do mercado em relação às decisões de juros de diversos bancos centrais.
Crise no Oriente Médio impulsiona o dólar
A intensificação do conflito no Oriente Médio tem levado investidores a migrar recursos para ativos considerados mais seguros, como o dólar.
A situação voltou a se agravar após o Irã alertar que Washington iria “se arrepender amargamente” pelo afundamento de um navio de guerra iraniano. Ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que deseja participar da escolha do próximo líder iraniano após ataques aéreos dos EUA e de Israel que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei nos primeiros momentos da guerra.
Com a escalada militar, mercados globais passaram a operar com maior volatilidade.
Segundo Tony Sycamore, analista de mercado da IG:
“Se o conflito no Oriente Médio continuar com a intensidade atual, é provável que vejamos inflação mais persistente, um dólar mais forte e uma redução significativa nas chances de cortes de juros pelo Federal Reserve.”
Euro e iene pressionados pelo avanço do petróleo
Enquanto o dólar se fortalece, outras moedas importantes enfrentam pressão.
O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas globais, caiu levemente 0,06%, para 99,00 pontos. Ainda assim, acumula alta semanal de cerca de 1,4%, o maior avanço desde novembro de 2024.
Entre as principais moedas:
- Euro: estável em US$ 1,1612
- Iene japonês: leve alta de 0,06%, a 157,5 por dólar
- Libra esterlina: praticamente estável em US$ 1,3361
O aumento dos preços do petróleo tende a pressionar economias que dependem de importação de energia, como a Europa e o Japão, ampliando riscos inflacionários nessas regiões.
Guerra aumenta preocupações com inflação global
Os ataques aéreos realizados por aviões dos Estados Unidos e de Israel atingiram várias áreas do Irã na quinta-feira, enquanto cidades do Golfo voltaram a sofrer bombardeios.
Com o petróleo subindo, investidores passaram a temer um novo ciclo inflacionário semelhante ao observado após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Mercados financeiros reagiram rapidamente. Dados de swaps de índice overnight (OIS) indicam mudanças relevantes nas expectativas de juros dos principais bancos centrais.
Entre os ajustes observados:
- Expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve foi adiada para setembro ou outubro
- Redução das apostas em cortes de juros pelo Banco da Inglaterra
- Aumento das expectativas de possíveis altas de juros pelo Banco Central Europeu ainda este ano
Skye Masters, chefe de pesquisa de mercados do National Australia Bank, explicou:
“O impacto que a guerra entre Rússia e Ucrânia teve sobre a inflação ainda está muito presente na memória dos investidores. Isso está se refletindo na reprecificação das curvas de juros e também nos mercados de títulos.”
Dados econômicos dos EUA ficam em segundo plano
Com o conflito dominando o cenário global, os investidores deram pouca atenção aos dados econômicos divulgados na quinta-feira nos Estados Unidos.
Os números mostraram que:
- Pedidos iniciais de seguro-desemprego permaneceram estáveis na última semana
- Demissões caíram significativamente em fevereiro
Esses indicadores sugerem que o mercado de trabalho americano continua relativamente sólido.
Agora, o foco do mercado está voltado para o relatório de empregos dos EUA (payroll) que será divulgado nesta sexta-feira.
Economistas consultados pela Reuters projetam que:
- Foram criados 59 mil novos empregos em fevereiro
- A taxa de desemprego deve permanecer em 4,3%
Mercado cambial segue sensível ao risco geopolítico
Jayati Bharadwaj, chefe de estratégia cambial da TD Securities, afirma que ainda há espaço para ajustes de curto prazo nas posições compradas em dólar devido ao clima de aversão ao risco.
No entanto, ela acredita que o conflito pode permanecer relativamente contido, especialmente considerando o contexto político nos Estados Unidos.
“A valorização do dólar deve continuar enquanto o prêmio de risco no petróleo permanecer elevado, refletindo movimentos semelhantes aos observados em junho de 2025, até que ocorra uma mudança política no Irã com apoio dos EUA.”
Outras moedas e criptomoedas
Entre as moedas de países exportadores de commodities, houve leve recuperação:
- Dólar australiano: alta de 0,16%, para US$ 0,7017
- Dólar neozelandês (kiwi): alta de 0,15%, para US$ 0,5903
Já no mercado de criptomoedas:
- Bitcoin: queda de 0,26%, para US$ 70.956
- Ethereum: recuo de 0,27%, para US$ 2.074
Perspectivas para os mercados
Analistas afirmam que os mercados globais devem permanecer voláteis nas próximas semanas, especialmente se o conflito no Oriente Médio continuar a escalar.
Entre os principais fatores que investidores acompanham estão:
- Evolução da guerra entre Irã, EUA e Israel
- Movimento dos preços do petróleo
- Dados do mercado de trabalho dos EUA
- Próximas decisões de juros do Federal Reserve
Se o cenário geopolítico permanecer tenso, o dólar pode continuar se beneficiando da busca global por segurança financeira.
